Senhor tudo está indo de mal em pior, mas ainda posso orar. Por isso inclina os Teus ouvidos ao meu clamor, porque vou Lhe contar tudo ó Deus.
“Mas eu, Senhor, a ti clamo por socorro; já de manhã a minha oração chega à tua presença” - Salmos 88:13.
Até agora não tinha visto um salmo tão triste como esse. Hemã ergue um lamento tão angustiante que quase não conseguimos enxergar o favor de Deus em meio à dura realidade de um coração profundamente ferido, tanto que o salmista conclui o salmo solitário e em trevas. “Sobre mim se abateu a tua ira; os pavores que me causas me destruíram. Cercam-me o dia todo como uma inundação; envolvem-me por completo. Tiraste de mim os meus amigos e os meus companheiros; as trevas são a minha única companhia” (Salmos 88:16-18).
Este é um triste lamento que
relata os males que cercam a vida de um justo, sim um justo, pois nem tudo na
vida dos santos de Deus, são flores. O
salmista HEMÃ ERA FILHO DE JOEL E NETO DO PROFETA SAMUEL, da família dos
Coatitas. Ele foi cantor e cimbaleiro levita durante o reinado de Davi, e
posteriormente de Salomão (I Crônicas 6.33; 15.17-19; II Crônicas 5.11,12). E mesmo
com todas estas credenciais ele vive uma angústia sem fim “Por que,
Senhor, me rejeitas e escondes de mim o teu rosto? Desde moço tenho sofrido e
ando perto da morte; os teus terrores levaram-me ao desespero” (Salmos
88:14,15). Entenda que ele não está passando por um momento de aflição, que
dura uma noite e que logo vai embora com a chegada da manhã. Não, este martírio
persiste desde sua mocidade: “Desde moço tenho sofrido”. “Os
teus terrores levaram-me ao desespero”. Levaram-no a um estado de depressão
tão grande que suas companhias constantes são a falta de alegria, ladeada pela
melancolia.
Estamos acostumados a louvar
ao som de júbilo, entretanto Hemã nos ensina que o louvor também pode ser entoado
ao som do lamento. O lamento de um adorador que embora abatido, sabe que a tristeza
santa deve ser manifestada, ainda que seja muito difícil, com a mais profunda alegria;
ao ponto de transformar a tristeza em notas de alegria. Estes sim, são “os
verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os
adoradores que o Pai procura” (João 4:23). Já falamos sobre isso na meditação:
"Senhor, Tu és
o Rei de toda terra, Tu é o meu Rei soberano. Venho humildemente oferecer
louvores ao Senhor."
Uma leitura superficial fará
o leitor ter dificuldades para entender como pode ser este salmo um canto de
louvor ou triunfo. Contudo, em suas entranhas encontramos “a beleza na
aflição”, porque ele nos mostra como a fé nos conduz em "glória em meio
as tribulações". A fé de um verdadeiro adorador, que expõe as suas
mazelas, clamando dia e noite ao Senhor dizendo: “Ó Senhor, Deus que me
salva, a ti clamo dia e noite. Que a minha oração chegue diante de ti; inclina
os teus ouvidos ao meu clamor” (Salmos 88:1,2).
Talvez você tenha
compartilhado em algum momento de sua vida a tristeza de Hemã. Quero dizer que
isso não é um privilégio só seu. Muitos homens e mulheres fiéis a Deus
enfrentaram momentos em suas vidas em que sua única companhia, apesar da
multidão a sua volta, foram as trevas e a solidão. E, isso não porque tivessem
cometido algum pecado, mas porque se mantiveram fiéis a Deus! E esse fiel
compreende que: “A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste
melhora o coração” (Eclesiastes 7:3). Quero lembrar que o nosso Senhor e
Salvador conheceu, por experiência própria, a dor, o sofrimento e a tristeza. Pois
“Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e
familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto,
foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima” (Isaías 53:3).
Ciente disto o apóstolo
Paulo declara: “Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração”
(Romanos 9:2). Sua tristeza se deve ao fato de que seus irmãos (Israel),
rejeitaram a Cristo como Senhor. Contudo sua tristeza é um fator motivador para
pregar o evangelho a todas as pessoas: “Pois eu até desejaria ser
amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça, o
povo de Israel” (Romanos 9:3,4a). Já o escritor do Salmo 116 escreve: “Os
cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim;
encontrei aperto e tristeza” (Salmos 116:3); Em sua aflição ele dizia: "Todo
homem é mentiroso" (Salmos 116:11). Sua frustração parece estar na
constatação de que os homens são enganadores e não cumprem suas promessas de
socorrer o próximo. E mesmo diante desta triste constatação ele diz “Oferecerei
a ti um sacrifício de gratidão e invocarei o nome do Senhor” (Salmos
116:17).
Mais uma vez voltamos ao
nosso Senhor: o “Varão de dores”... até mesmo nosso Salvador foi tomado de
profunda tristeza: “JESUS levou-os a um lugar chamado Getsêmani e
mandou-lhes que se sentassem e esperassem enquanto ia mais adiante para orar.
Levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João, e COMEÇOU A
SENTIR TRISTEZA E ANGÚSTIA: A MINHA ALMA ESTÁ CHEIA DE UMA TRISTEZA MORTAL.
Fiquem aqui. Fiquem acordados comigo. Avançou um pouco e, deitando-se de rosto
em terra, OROU: MEU PAI, SE É POSSÍVEL, QUE ESTE CÁLICE SEJA AFASTADO DE MIM.
CONTUDO, SEJA FEITA A TUA VONTADE E NÃO A MINHA” (Mateus 26:36-39).
Muito embora estivesse acompanhado nosso Senhor estava solitário, enfrentado a
escuridão da pior noite da Sua vida. E mesmo assim ELE glorificou ao Pai, pois “esvaziou-se
a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo
encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte,
e morte de cruz!” (Filipenses 2:7,8).
Em muitas ocasiões como
essas, o “cálice” não será afastado, como foi no caso de Jesus e
do próprio Hemã. Nosso Pai tem vontade soberana. Ele é didático ao permitir que
passemos por momentos de aflição: “Porque a tristeza segundo Deus opera
arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do
mundo opera a morte” (2 Coríntios 7:10); no caso de Jesus Sua tristeza
nos trouxe a alegria da salvação. Já para Hemã e para nós uma correção que fará
manifestar a alegria da justiça, “E, na verdade, toda a correção, ao
presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto
pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hebreus 12:11).
Nosso Senhor Jesus Cristo
que enfrentou momentos de profunda tristeza, nos garantiu que a tristeza aqui
enfrentada é passageira e o que nos aguarda é a alegria eterna: “Na
verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se
alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em
alegria. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos
verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará”
(João 16:20,22).
Com palavras doces em amor;
Ou talvez algumas almas tristes alcançar,
Com a mensagem do Senhor!” (Hino 417 C.C.).
Pr. José de Arimatéa Nascimento
Servo de Cristo Jesus
Este salmo e dirigido ao
regente do coral: salmo dos descendentes de Corá, para ser cantado com a
melodia “O sofrimento da aflição”. Salmo de Hemã1, o
ezraíta2.
1 - Hemã e citado como um sábio
da época de Davi e Salomão. “Ele era mais sábio do que qualquer outro homem,
mais do que o ezraíta Etã; mais sábio do que Hemã, Calcol e Darda, filhos de
Maol. E a sua fama espalhou-se por todas as nações em redor.” (1ª Reis 4:31)
2- HEMÃ, O EZRAÍTA
O salmista HEMÃ era filho de
Joel e neto do profeta Samuel, da família dos Coatitas. Ele foi cantor e
cimbaleiro levita durante o reinado de Davi, e posteriormente de Salomão (I
Crônicas 6.33; 15.17-19; II Crônicas 5.11,12). Foi pai de 14 filhos e três
filhas, e liderava a sua família no canto na Casa do Senhor (Templo Sagrado).
Tanto ele quanto Asafe e Etã Jedutum estavam sob o comando direto do rei Davi,
"o rei poeta"- (I Crônicas 25.1-6). Hemã compôs o Salmo 88, que tem
18 versículos. Ele também era conhecido como Hemã, "o ezraíta". Em
hebraico, o termo “ezraíta” tem o significado de: “NATIVO”.
http://aelacadeira14.blogspot.com/2012/08/hema-o-ezraita.html
Ezraíta foi um título dado a
Etã (1Rs 4:31; Sl 89, título) e Emã (Sl 88, título). Ambos eram filhos de Zerá
(1Cr 2:6).
https://www.apologeta.com.br/ezraita/
Ezraíta [Nativo].
Designação aplicada a Etã
(1Rs 4:31; Sal 89:cab.) e a Hemã (Sal 88:cab.), ambos famosos pela sua
sabedoria. Etã e Hemã são identificados em 1 Crônicas 2:3-6 como descendentes
de Judá através de Zerá. De modo que a designação “ezraíta” parece ser outra
palavra para “zeraíta”. (Núm 26:20) O Targum de Jonatã interpreta “ezraíta” como
“filho de Zerá”.
https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1200001478

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